Sexo: Masculino
Número de vítimas: 5+
Este é um dos mais famosos serial killers dos Estados Unidos. Agiu durante anos na Califórnia, impunemente, escreveu cartas para jornais, desafiou e provocou a polícia. Nunca foi identificado.
Sobre o assunto, diversos livros foram escritos, documentários foram feitos, websites foram criados. Quase trinta anos depois, em alguns dos assassinatos ligados a ele, investigações ainda estão sendo feitas. É um dos maiores mistérios da história dos crimes americanos.
Alguns escritores chegaram a sugerir que o Zodíaco poderia estar ligado a Charles Manson ou a Unabomber, outros dois casos famosos americanos, mas nunca se chegou a uma conclusão definitiva.
Os Fatos
Em 30 de outubro de 1966, Cheri Jo Bates, 18 anos, decidiu ir até a biblioteca da Riverside City College, Califórnia, estudar. Um pouco depois das 16h30, deixou um bilhete para o pai, pregado na geladeira, dizendo onde estaria.
Às 17h, Joseph Bates, pai de Cheri Jo, chegou em casa e não viu o carro da filha, um fusca. Entrou na residência, encontrou o bilhete e não se preocupou mais.
Cheri Jo permaneceu na biblioteca por horas. Enquanto estudava, alguém abriu o capô de seu carro e retirou a bobina do distribuidor e condensador. O distribuidor foi desconectado. Às 21h, a garota decidiu que já era hora de voltar para casa. Quando tentou ligar seu carro... Nada. Tentou mais uma vez... Nada. Já de noite, sem ter a quem recorrer, não sabia o que fazer, quando um gentil homem lhe ofereceu carona até a sua residência. Ela aceitou. Caminhavam em direção ao automóvel do homem quando ele de repente a agarrou, tapou sua boca e colocou uma faca em sua garganta. Desesperada, a menina tentava gritar e fugir, atacando seu agressor como podia, arranhando seu rosto.
Nos depoimentos posteriores, a polícia saberia que dois gritos horrendos foram ouvidos: o primeiro às 22h15, o segundo às 22h45. Não se sabe o que aconteceu nesse intervalo de tempo, mas o resultado foi que o criminoso cortou a jugular de Cheri Jo e deu outras três facadas em sua garganta, aniquilando suas cordas vocais. A menina foi praticamente decapitada, depois de esfaqueada 42 vezes, mas o assassino ainda não estava satisfeito. Deitou-a no chão e deixou sua lâmina enterrada no ombro da vítima. No ataque perdeu seu relógio Timex, que marcava 12h23. A origem do relógio foi rastreada até um posto militar, na Inglaterra.
Dias depois, a polícia recebeu uma carta de confissão anônima, escrita a máquina. Não conseguiram identificar quem a teria escrito.
Seis meses depois, o Riverside Press Enterprise publicou um artigo sobre o caso. No dia seguinte à publicação, a polícia, Joseph Bates e o jornal receberam novas cartas do suposto assassino.
Anos depois se faria a correlação desse caso com os do criminoso que chamou a si mesmo de Zodíaco, quando a polícia de Riverside notou similaridades com o caso de assassinato em Napa, acontecido posteriormente. Até os dias de hoje existem dúvidas sobre a autoria do assassinato, muitos não acreditam que tenha sido o Zodíaco.
Em 20 de dezembro de 1968, mais de dois anos já haviam passado desde o assassinato de Cheri Jo Bates. Nunca ninguém mais ouvira falar do caso.
Nessa noite de lua cheia, David Arthur Faraday, 17 anos, estudante do Vallejo High School, marcou um encontro com Betty Lou Jensen, 16 anos, estudante do Hogan High School. David pegou Betty em casa às 20h20, disseram aos pais dela que iriam a um concerto e prometeram voltar até as 23h. Em vez do concerto, foram de carro para um local chamado Lover’s Lane, conhecido ponto de namoro da região, nas proximidades do lago Herman.
Semanas antes, Betty tinha tido a sensação de que estava sendo seguida e observada por alguém na escola. Por mais de uma vez, sua mãe encontrou aberto o portão do jardim que dava para a janela da menina. Estranho, mas nada que alarmasse demais a família.
Os namorados, ao chegarem ao Lover’s Lane, travaram as portas e reclinaram os bancos. Um passante viu os dois adolescentes ali, enquanto Betty Lou recostava sua cabeça no ombro de David. Segundo essa testemunha, estava bastante escuro, apesar da lua cheia. Outras duas testemunhas, caçadores de racum, diriam ter visto o que pareceu ser uma Valiant azul seguindo o carro de David.
Perto das 23h, quando o casal já se preparava para ir embora, outro carro apareceu no local e estacionou perto deles. Um homem corpulento desceu e chegou a ser visto por outro motorista que passava por ali. Parou ao lado da janela de Betty Lou e ordenou que o casal saísse do veiculo. Mas, como estavam com as portas travadas, se negaram achando que estavam seguros. Diante da recusa, o desconhecido sacou uma arma da jaqueta, foi até a janela de trás e atirou no vidro, que explodiu. Rodeou o carro até a outra janela traseira e também a estourou.
Betty Lou, apavorada, abriu a porta e começou a descer. David não teve tempo para isso. Antes que pudesse sair, o estranho encostou a arma atrás de seu ouvido esquerdo e atirou. A bala atravessou a cabeça de David horizontalmente, arrancando parte dela.
Gritando, fora de controle, Betty Lou saiu correndo. O homem seguiu em seu encalço, atirando cinco vezes nas suas costas. Ela tombou a nove metros do carro em que estava.
David continuava vivo e sangrando em profusão. O assassino virou-lhe as costas, entrou em seu carro e foi embora.
Minutos depois, Stella Borges, uma senhora que passava por ali de carro, chamou a radio patrulha. Betty Lou já estava morta, mas David chegou ainda com vida à Unidade de Terapia Intensiva do Hospital Geral de Vallejo, apesar de não ter resistido aos ferimentos e falecido logo depois.
Os projéteis que mataram Betty Lou e David saíram de pistola semi-automática calibre .22.
Darlene Ferrin conhecia tanto David como Betty Lou. Tinha 22 anos, era casada e mãe de uma menininha, Dena. Karen, a babá que Darlene contratava com certa freqüência, notou em 27 de fevereiro de 1969 quando um carro branco estacionou do lado de fora da casa. Ela comentou o fato com Darlene, que pareceu não dar maior importância a ele e continuou a se arrumar para sair. Karen descreveria depois o homem sentado ao volante: grande, cara redonda e cabelo castanho cacheado. Darlene chegou a comentar com a babá que “ele devia estar observando-a novamente.” Disse que, pelo que sabia, “ele” estava fora do Estado e não queria que ninguém soubesse do assassinato que ela testemunhou. Darlene chegou a dizer o nome do homem, algo como Peter ou Paul, mas Karen não deu atenção.
Algum tempo antes, pacotes haviam sido enviados à casa de Darlene. Pam Huckaby, sua irmã, ao receber um dos pacotes, reconheceu o entregador como “aquele homem que ficava sentado em seu carro branco, em frente a casa de Darlene.” O homem, que usava óculos, avisou-a para não abrir o pacote. Na época, especulou-se se os pacotes estavam sendo enviados pelo ex-marido de Pam, Jim, que vivia no México e possuía uma arma calibre .22.
Darlene chegou a avisar as amigas para que não chegassem perto do homem do carro branco que ficava estacionado em frente à sua casa. Obviamente, ela não gostava da situação, mas não tinha coragem de pedir que ele saísse dali.
Em 4 de julho daquele ano, Darlene saiu de casa para ir buscar seu amigo Michael Mageau, 19 anos. Os dois tinham combinado de ir ao cinema em San Francisco. Perceberam que estavam sendo seguidos e, assustada, a moça começou a dirigir cada vez mais rápido, tentando pegar estradas vicinais para despistar seu perseguidor. De repente, estavam na Columbus Parkway, na mesma direção da estrada do lago Herman.
Darlene parecia conhecer quem a perseguia. Sem aviso, o carro atrás do casal diminuiu a velocidade e sumiu, mas o alívio durou pouco... Cinco minutos depois foram abalroados horizontalmente e ficaram impossibilitados de fugir. As luzes do outro carro cegavam os dois, mas mesmo assim Mageau pode ver que um homem carregando uma lanterna vinha na direção dos dois. A janela do seu lado estava aberta, e ele ouviu tiros serem disparados. Sentiu um calor estranho tomar conta de todo seu corpo e se deu conta de que a vítima era ele. Perplexo, ainda ouvindo disparos, viu Darlene tombar sobre o volante. Ela havia sido alvejada cinco vezes, além de ter sido atingida por alguns projéteis que saíram do corpo de Mageau.
Enquanto o assassino voltava para seu carro, Mageau pode ver seu rosto, mas ao ouvir seus gritos de dor o homem voltou e atirou mais duas vezes.
Dessa vez, apesar da dor insuportável, Mageau fingiu-se de morto. Percebeu que não conseguia mais gritar pois uma das balas atingira sua mandíbula e perfurara sua língua. Darlene ainda gemia no banco da frente quando ele, com muita dificuldade, conseguiu descer do veículo para tentar encontrar socorro. Para sua sorte, três adolescentes que procuravam um amigo notaram o automóvel estacionado no meio da estrada e viram a vítima caída no chão. Sem hesitar, desceram para socorrê-lo. Quando se deram de que a situação era grave, foram até uma casa próxima e avisaram a polícia.
O policial Richard Hoffman e o sargento Conway já estavam no local quando a ambulância chegou. Darlene foi pronunciada morta às 00h38. À 00h40, o Departamento de Polícia de Vallejo recebeu uma ligação telefônica. Uma voz calma, do outro lado da linha, reportou o duplo homicídio, deu a localização dos corpos e a descrição do carro de Darlene ferrin. Disse ainda que ambas as vítimas tinham sido alvejadas com uma Luger 9mm, identificando a arma com precisão, e alegou ser a mesma arma que havia matado Faraday e Jensen no ano anterior. Com um tom de voz mais profundo, disse adeus e desligou. Para desespero da polícia, descobriu-se que a ligação fora feita de um telefone público que ficava do lado de fora do escritório do xerife de Vallejo.
Michael Mageau foi operado e sobreviveu. Depois de curado, deu tantas versões do ocorrido para a polícia e escondeu-se com tanta rapidez que a única conclusão possível é que estava apavorado demais com a possibilidade do assassino voltar e tirar sua vida. Descreveu o carro de seu agressor como sendo marrom, provavelmente um Corvair.
Em 27 de setembro de 1969 Cecília Shepard e Bryan Hartnell combinaram um programa juntos. Eram amigos havia muito tempo e planejaram um piquenique nas margens do lago Berryessa. Estavam conversando e comendo quando um carro parou ao lado do Karmann-Ghia de Bryan e seu ocupante começou a observar o casal.
Cecília notou o estranho, mas ele logo desapareceu entre as árvores. Momentos depois, ela tornou a vê-lo. De novo, ele sumiu. Quando apareceu outra vez, vestia um capuz preto em forma de saco sobre a cabeça, como se fosse um executor. A frente do capuz pendia até a cintura, e no peito estava desenhado um símbolo do zodíaco. Ele usava óculos escuros sobre o capuz, e do lado direito de sua cintura pendia um facão de pelo menos 30 centímetros de comprimento. Do lado esquerdo, o coldre estava vazio. Ela ergueu os olhos e percebeu uma arma em sua mão.
O homem falou para Bryan que era um condenado fugitivo e exigiu dinheiro e as chaves do carro. Foi atendido de imediato. Ele então deu uma corda a Cecília para que ela amarasse Bryan, o que foi feito com nós bem largos, para que talvez ele tentasse escapar, mas o criminoso percebeu e resolveu ele mesmo amarrar Cecília e apertar os nós que continham Bryan. Ameaçou o casal, dizendo que teria de esfaqueá-los. Bryan disse ao criminoso que não suportaria ver Cecília ser esfaqueada, que preferia ser a primeira vítima. O assassino respondeu que era justamente o que pretendia fazer e, apesar das súplicas desesperadas do rapaz, ajoelhou-se e o esfaqueou seis vezes nas costas. Enquanto ele gemia com uma dor lacinante, o estranho esfaqueou Cecília dez vezes, cinco nas costas e cinco na frente, atingindo seu seio, seu abdome, sua virilha.
Ao ir embora o criminoso fez questão de por as chaves do carro de Bryan e o dinheiro em cima da toalha de piquenique, deixando claro que não se tratava de um assalto, e sim de uma execução. Antes de sair de cena, ainda deu uma paradinha no Karmann-Ghia e, com uma caneta hidrográfica, escreveu na porta:
“Vallejo
12-10-68
7-4-69
Sept 27-69-6:30
by knife.”

Assim que o criminoso partiu, as vítimas começaram a gritar. A moça conseguiu desamarrar-se e libertou o amigo. Da praia, um pescador chinês ouviu os gritos e chamou a polícia, que encontrou Bryan distante 270 metros da estrada. Ele perdia sangue sem parar, mas mesmo muito ferido indicou onde estava Cecília.
Às 19h13 foi reportado ao escritório do xerife de Napa o duplo esfaqueamento. Às 19h40, um homem não identificado telefonou para o departamento de polícia e reportou o que seria um duplo homicídio, informando a localização dos corpos. Ao ser perguntado sobre sua identidade, respondeu:
- Eu sou aquele que fez isso!
Cecília Shepard morreu em 28 de setembro, devido aos diversos ferimentos a faca. Bryan Hartnell sobreviveu. Hoje em dia, é advogado no sul da Califórnia.
A polícia descobriu uma pegada perto do carro de Bryan. O tamanho era 10 ½, o equivalente ao nº 41. O tipo de sola do calçado parecia ser o equivalente a uma bota do tipo “Wing Walker”, de uso exclusivo de militares.
No dia 11 de outubro de 1969, o motorista de táxi Paul Lee Stine não estava ainda nem perto de encerrar seu dia de trabalho quando atendeu ao homem que entrou em seu táxi e seguiu viagem até o endereço solicitado. Ao parar o táxi no local indicado, alguém passeava com seu cachorro em frente ao veículo. O silencioso passageiro então mudou de idéia e pediu ao motorista que andasse mais um quarteirão. Assim que estacionou, Paul Stine foi agarrado por trás, com o braço esquerdo de seu passageiro envolvendo com força sua garganta. Sentiu o cano de uma arma no ouvido direito, e começou a lutar pela vida. Não teve tempo nem de pensar sobre o que estava acontecendo, o tiro que estourou seus miolos. A arma utilizada foi uma semi-automática 9mm.
O passageiro saiu do táxi, abriu a porta da frente e sentou-se no banco vazio ao lado de Stine. Pegou a carteira do motorista, cortou um pedaço da camiseta ensangüentada e com ela limpou toda e qualquer digital que pudesse ter deixado ali, levando um pedaço da roupa de sua vítima com ele. O sangue de Stine estava espalhado por toda parte. Sem se impressionar, o criminoso saiu do veículo e desceu a rua a pé, sem se dar conta de que havia sido visto por uma garota de 14 anos que estava numa janela do outro lado da rua.
Às 21h58 a polícia foi chamada pelo pessoal da casa em que a testemunha estava. Não tinham escutado nenhum tiro, mas a cena assistida por ela era impar. O homem que fez a ligação disse que o suspeito que saíra do táxi era um homem negro adulto, mas sua visão fora prejudicada pela pouca luminosidade daquele trecho da rua.
Os policiais se dirigiram para o local. Ao pedirem informações para um senhor que passava por ali, ele relatou ter visto um homem carregando uma arma, correndo em direção ao leste de Washington. A polícia saiu correndo atrás da pista, sem perceber que, provavelmente, o gentil informante era o criminoso que procuravam. Paul Lee Stine foi declarado morto às 22h30.
No dia 22 de março de 1970, noite de lua cheia, Kathleen Johns e seu bebê de 10 meses de idade estavam na Estrada 132, indo para a cidade de Petaluma, Califórnia. O gentil motorista de uma Station Wagon Chevrolet 1957 cor marrom e branca, ao ultrapassá-la, fez sinal de que o pneu estava com problemas. Kathleen deu seta e parou no acostamento. O homem parou para ajudá-la, “graças a Deus.”
Verificou o pneu, pareceu arrumá-lo e os dois veículos seguiram viagem. Minutos depois o pneu do carro da jovem mãe literalmente voou para fora, fazendo-a parar de forma abrupta. O motorista do Chevrolet parou também, oferecendo carona para a senhora e seu bebê. Sem alternativa, Kathleen aceitou.
Depois de alguns quilômetros do que parecia ser uma viagem tranqüila, o estranho, sem aviso prévio, pegou uma estrada deserta. Avisou à mulher que mataria ela e seu bebê. Com o veículo em movimento, arrancou a criança do colo da mãe e tentou arremessá-la para fora. A luta pela vida começou, e ao mesmo tempo que tentava salvar seu bebê e a si mesma, Kathleen observava todos os detalhes que poderiam vir a ser úteis, caso escapasse daquele inferno. O homem era bem arrumado, calçava botas militares bem engraxadas e vestia uma capa de náilon azul e preta. Usava também uma calça de lã preta boca-de-sino, como era moda, além de óculos de armação fina e preta, do tipo tartaruga, presa por um elástico por trás da cabeça. O cabelo dele era castanho e cortado em estilo “escovinha”, com uma risca bem marcada. Seu nariz era médio e seu queixo marcado, tinha compleição física média e pesava algo entre 75 e 80 quilos.
De repente, o carro deu um solavanco e diminuiu de velocidade. Era a chance que Kathleen estava esperando, pulou para fora do carro com seu bebê nos braços. Correndo, atravessou uma vinicultura como pode, tropeçando, sem ar e sem emitir som algum. O agressor a seguiu com uma lanterna na mão, mas não conseguiu alcançá-la. Por sorte, um caminhão parou na estrada e o motorista desceu para ver o que estava acontecendo. Ao deparar-se com a desesperada mulher tentou socorrê-la, mas, por mais que insistisse para que entrasse em seu veículo, ela não saía do lugar. O homem que perseguia Kathleen entrou em seu carro e partiu em alta velocidade. O motorista do caminhão, penalizado com a situação da moça, esperou pacientemente até que um veículo com uma mulher na direção parasse ali e prestasse socorro. Ela levou Kathleen até a delegacia mais próxima.
Para os policiais, Kathleen contou sua história em detalhes. Pendurado atrás do policial que tomava seu depoimento estava o retrato falado do homem que tinha assassinado o taxista Paul Stine, no ano anterior. Quando viu o desenho, a jovem mãe começou a gritar em total descontrole. Era o mesmo homem que a atacara na estrada! O retrato falado era do assassino agora chamado Zodíaco.
A polícia viu ali uma grande oportunidade de encontrar novas pistas. Acompanhou a moça até seu carro na intenção de encontrarem digitais, mãos ao chegarem ao local, viram que o veículo fora queimado por dentro.
Nunca ficou provado que Kathleen foi raptada pelo Zodíaco, apesar de ele fazer referência ao caso e assumir a responsabilidade sobre ele em uma de suas cartas.
As cartas do Zodíaco

Durante os anos em que agiu, o Zodíaco manteve contato, através de 21 cartas e postais, com o Departamento de Polícia de Riverside, Joseph Bates (pai de Cheri Jo), com os jornais Riverside Press-Enterprise, San Francisco Chronicle (que parecia ser seu preferido), San Francisco Examiner, Vallejo Times-Herald e Los Angeles Times, com o advogado Melvin Belli e o editor Paul Avery. Suas cartas sempre tinham um tom de zombaria e provocação.
Sabe-se que se tratava de um homem inteligente e brilhante. Seu prazer era observar as investigações andarem em círculos, sem nunca chegar a lugar nenhum.
Suas cartas eram verdadeiras obras de arte. Usava símbolos e códigos criptografados, e sua escrita era precisa e descritiva. Era comum iniciá-las escrevendo com letra cursiva, que sempre variava o estilo, provavelmente copiadas de outros tipos de caligrafia.
Em algumas de suas cartas, parecia ser uma pessoa com pouca instrução, cometendo erros gramaticais e ortográficos infantis. Isso contradizia os sofisticadíssimos códigos e símbolos que utilizava e que se referiam à astrologia e aos signos, e por isso foi chamado de Zodíaco.
A primeira carta recebida pelo jornal San Francisco Chronicle estava duplamente selada para que chegasse mais rápido, o que depois se constataria ser um hábito do Zodíaco. Tratava-se de um criptograma impresso, composto de símbolos, e estava endereçada ao editor, reclamando a responsabilidade sobre os assassinatos de David Faraday, Betty Lou Jensen e Darlene Ferrin. Na carta, constavam alguns detalhes do crime que só o assassino poderia saber.
Assassinato de Betty Lou e David: 10 tiros detonados, corpo do garoto atrás do carro, garota caída do lado direito, pés apontados para oeste.
Assassinato de 4 de julho: garota vestindo calça comprida, garoto também foi atingido no joelho.
O assassino assinou a carta com um círculo cruzado, como aquele desenhado na roupa do atacante de Cecília e Bryan.
O criptograma tinha sido postado em julho de 1969, e o Zodíaco afirmava que sua identidade estava ali, para quem o desvendasse. Ordenou que sua carta fosse publicada na edição de 1º de agosto de 1969, caso contrário faria uma matança de grande proporção. O jornal concordou e publicou.
Um professor da cidade de Salinas, harden, trabalhou em conjunto com a esposa por vários dias, tentando decifrar o criptograma. Ele era criptógrafo amador e disse ter decifrado o código. O nome do assassino não estava ali. O texto dizia: “Eu gosto de matar pessoas porque é muito divertido...”
Para construir os criptogramas, o Zodíaco utilizava dois livros fáceis de serem encontrados em qualquer biblioteca: Codes and Ciphers, de John Laffin, e o Zodiac Alphabet.
A polícia então exigiu que o suposto assassino desse detalhes dos crimes somente conhecidos por ele, pois não queria perder tempo com um louco que estivesse fazendo se passar pelo Zodíaco. A resposta veio numa carta de três páginas, que começava assim: “Prezado Editor, aqui é o Zodíaco falando...” Era a primeira vez que ele próprio se chamava pelo apelido, que permanece até hoje. O homem deu detalhes que eram desconhecidos do público em geral.
Em 14 de outubro de 1969, o Zodíaco enviou sua quinta carta, postada em San Francisco. No remetente estava desenhado o círculo cruzado. Nessa, ameaçava explodir um ônibus escolar com uma bomba química, alem de conter um retalho de roupa, que logo foi identificado como sendo da camisa do taxista Paul Stine. Se a sua intenção era amedrontar a população, conseguiu.
A polícia ainda tentou usar ninhydrina, um pó utilizado para detectar a presença de vários aminoácidos, permitindo a definição de impressões digitais, mas nada foi encontrado. Nenhuma impressão digital, suor ou aminoácido. Nada. As cartas foram levadas para especialistas, na tentativa de conseguir alguma pista.
Em 22 de outubro de 1969, o Departamento de Polícia de Oakland recebeu uma ligação telefônica anônima. Nela, uma voz de homem se identificou como o Zodíaco e exigiu que fosse conseguido um contato telefônico entre ele e F. Lee Bailey ou Melvin Belli, renomado advogado. Ele queria ser ouvido no programa de entrevistas, o que conseguiu. Em duas horas, Belli estava aguardando ao vivo a conversa com o criminoso, que aconteceu às 19h20. Ao todo, foram feitas 35 ligações. Nelas, ouviu-o reclamar de fortes dores de cabeça, que passavam quando ele matava. Disse que não queria ir para a câmara de gás. Belli tentou, com toda habilidade, convencer a “voz” a se entregar. Marcou um encontro fora do ar, mas ele nunca apareceu.
Em novembro de 1969, o jornal Chronicle recebeu mais cartas do Zodíaco. Eram legítimas, todas continham pedaços da camisa de Paul Stine. Nessas, ele afirmava ter assassinado mais duas pessoas, perfazendo um total de sete vítimas.
Numa dessas cartas, o Zodíaco explicou por que a polícia nunca o encontraria:
Ele se parecia com a descrição das vítimas apenas quando matava, o restante do tempo tinha uma aparência completamente diferente.
Não deixava impressões digitais na cena do crime, usava protetores transparentes nos dedos.
Todas as suas armas haviam sido compradas pelo correio
A carta seguinte foi endereçada a Melvin Belli, também contendo um pedaço da camisa ensangüentada de Paul Stine. Ele desejava ao advogado um feliz Natal e pedia sua ajuda, porque estava muito próximo do descontrole. Logo faria sua nona e décima vítimas.
Dessa vez, a polícia teve uma pista de que o Zodíaco poderia ter ascendência inglesa, já suspeitava que se tratasse de um marinheiro inglês. Ele usou as expressões “The Kiddies” e “Happy Christmas”, comuns na Inglaterra, mas não nos EUA, onde seriam usadas as expressões “Kiddo” para garotos e “Merry Christmas” para Feliz Natal.
Em 30 de janeiro de 1974, depois de três anos de silencio absoluto, um jornal de San Francisco recebeu uma autêntica carta do Zodíaco. Nela, estava anotado “Me-37, SFPD-0”, que se concluiu tratar-se de uma contagem ou de um placar: “37 para mim, 0 para o Departamento de Polícia de San Francisco.” Um policial levou a contagem de 37 vítimas a sério e encaminhou-a ao xerife Striepke. Ele pegou os 40 casos de assassinatos não resolvidos em quatro estados do oeste americano, marcando sua localização no mapa. Surpresa! Os alfinetes formavam uma letra “Z” de tamanho gigante. A teoria de Striepke caiu por terra quando o assassino serial Theodore Bundy foi preso e assumiu muitos desses crimes.
Como em algumas cartas o Zodíaco mostrou ser fã do filme O Exorcista, que considerava uma comédia, muitos acreditaram que ele pertencesse a alguma seita satânica, mas nenhuma prova concreta foi encontrada.
Hoje em dia, existem sérias dúvidas quanto à autoria do Zodíaco no assassinato de Cheri Jo Bates. O principal suspeito agora é um colega de faculdade da moça, e existem várias provas circunstancias contra ele.